Como as Guerras no Oriente Médio e na Ucrânia Estão Impactando os Preços do Petróleo e do Plástico no Brasil
Oriente Médio: Tensão no Estreito de Ormuz e o Efeito no Petróleo
O crescente conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos intensificou os temores sobre a segurança no Estreito de Ormuz, rota marítima pela qual trafega cerca de 20% do petróleo mundial. Com isso, o preço do barril Brent ultrapassou os US$ 80, acumulando alta superior a 20% desde o início das tensões.
Analistas do setor consideram possível que, em caso de bloqueio total da região, o barril atinja patamares de US$ 120 a US$ 150, cenário que provocaria um novo choque de oferta global.
Mesmo a mera possibilidade de conflito já vem pressionando os mercados. Em junho de 2025, o petróleo Brent teve uma valorização de 12% em apenas uma semana, demonstrando a sensibilidade do mercado à instabilidade política e militar no Oriente Médio.
Guerra na Ucrânia: Restrição Prolongada nos Insumos Petroquímicos
Desde 2022, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as sanções impostas ao governo russo vêm impactando diretamente o fornecimento global de petróleo e gás natural — base para a produção petroquímica.
Com isso, o petróleo chegou a alcançar US$ 130 por barril em seu pico recente, maior valor desde a crise de 2008. A instabilidade permanece, e o Brasil, como importador de insumos plásticos e petroquímicos, sente os reflexos.
A Rússia, anteriormente um importante fornecedor de matérias-primas petroquímicas, reduziu drasticamente suas exportações para mercados ocidentais, o que afetou inclusive a oferta indireta para o Brasil, via tradings e fornecedores intermediários.
Impactos Diretos no Setor de Plásticos Brasileiro
A elevação dos preços do petróleo e das resinas plásticas vem gerando efeitos em cadeia em diversos setores da economia brasileira:
- Alta nos custos de produção: Empresas que dependem de embalagens plásticas, filmes técnicos, peças injetadas ou insumos agrícolas enfrentam encarecimento significativo.
- Inflação e repasse: Os aumentos nos preços de matérias-primas pressionam os índices de inflação, especialmente nos segmentos alimentício, de construção civil e no varejo em geral.
- Risco logístico: A dependência de cadeias de fornecimento internacionais expõe as empresas brasileiras a riscos de desabastecimento e atrasos, exigindo novas estratégias logísticas e de estoques.
Além dos efeitos financeiros, as empresas precisam lidar com incertezas que dificultam o planejamento de médio e longo prazo. Estratégias como diversificação de fornecedores, nacionalização parcial de insumos e contratos de hedge vêm sendo avaliadas em diversas cadeias produtivas.
Tendências e Possíveis Desdobramentos
Para os próximos meses, três cenários são considerados possíveis por analistas internacionais:
- Estabilização moderada: Caso os conflitos se mantenham controlados, o petróleo pode oscilar entre US$ 85 e US$ 100, mantendo o mercado volátil, mas sem grandes rupturas.
- Escalada regional: Uma ampliação do conflito no Oriente Médio com bloqueios ou ataques a infraestruturas pode elevar o barril para US$ 130 ou mais, com forte impacto no setor petroquímico.
- Acordos diplomáticos: Uma distensão geopolítica poderia aliviar a pressão sobre os preços e estabilizar o mercado global de energia, o que beneficiaria diretamente o Brasil.
Independentemente do cenário, o setor de plásticos e petroquímicos brasileiro deve manter atenção redobrada às movimentações internacionais, fortalecendo sua capacidade analítica e de resposta estratégica.

